11 Processos Não Estacionários II e Teste de Dickey-Fuller
11.1 Recapitulação
Na aula anterior vimos os modelos não estacionários de tendência estocástica (Passeio Aleatório e suas variações), também chamados de diferença estacionária, pois ao diferenciar a série obtemos um processo estacionário com resíduos ruído branco.
No caso da tendência estacionária, a diferenciação também torna a série estacionária, mas os resíduos divergem de um ruído branco. Portanto, é de extrema importância avaliar o tipo de tendência da série antes de tratá-la.
11.2 Remoção da Tendência Determinística
Intuição: estimar uma regressão de \(y_t\) contra \(t\) e modelar os resíduos separadamente.
Formalmente:
Estimar a regressão: \[y_t = \delta_0 + \delta_1\,t + \delta_2\,t^2 + \cdots + \delta_n\,t^n + \epsilon_t\] em que \(e_t = \psi(L)\,\epsilon_t\). Armazenar os resíduos estimados \(\hat{e}_t\).
Estimar um modelo ARMA(\(p\), \(q\)) a partir dos resíduos estimados.
Para determinar \(n\), usar os testes \(t\) e \(F\) convencionais, estimando com \(n\) máximo e reduzindo até que os parâmetros rejeitem a hipótese nula.
11.3 Intuição do Teste de Raiz Unitária
A ordem de integração \(I(d)\) corresponde ao número de raízes unitárias da série temporal. Os Testes de Raiz Unitária verificam \(H_0: \phi = 1\) no modelo AR(1), e também ajudam a distinguir se a série possui tendência determinística ou estocástica.
11.4 Teste de Dickey-Fuller (DF)
Partindo de:
\[\Delta y_t = \alpha\,y_{t-1} + \epsilon_t, \quad \text{em que } \alpha = \phi - 1\]
Testar \(H_0: \alpha = 0\) é equivalente a testar \(H_0: \phi = 1\).
Sob \(H_0\), a estatística \(\hat{\tau}\) não segue a distribuição \(t\)-Student. Simulações de Monte Carlo mostram que a distribuição é assimétrica. Dickey and Fuller (1979) recalcularam os valores críticos para esses casos.
11.4.1 Equações do teste
Dickey e Fuller (1979) consideraram três especificações, dependendo da presença de drift e/ou tendência determinística:
\[\begin{aligned} \Delta y_t &= \alpha\,y_{t-1} + \epsilon_t & &\rightarrow \hat{\tau} \\ \Delta y_t &= \mu + \alpha\,y_{t-1} + \epsilon_t & &\rightarrow \hat{\tau}_\mu \\ \Delta y_t &= \mu + \delta\,t + \alpha\,y_{t-1} + \epsilon_t & &\rightarrow \hat{\tau}_\tau \end{aligned}\]
Os \(\tau\) críticos foram mapeados por simulações de Monte Carlo com amostras variando de \(T = 25\) até \(\infty\).
Uma série com tendência estacionária não tem raiz unitária (rejeita \(H_0: \alpha = 0\)) e o coeficiente \(\delta\) é significativo.
11.4.2 Passos do teste
Calcular \(\hat{\alpha}\): \[\hat{\alpha} = \frac{\sum_{t=1}^{T} y_{t-1}\,\Delta y_t}{\sum_{t=1}^{T} y_{t-1}^2} - 1\]
Calcular a variância amostral: \[S^2 = \frac{1}{T-1} \sum_{t=1}^{T}(\Delta y_t - \hat{\alpha}\,y_{t-1})^2\]
Calcular o desvio-padrão de \(\hat{\alpha}\): \[s(\hat{\alpha}) = \frac{S}{\sqrt{\sum_{t=1}^{T} y_{t-1}^2}}\]
Calcular a estatística do teste: \[\hat{\tau} = \frac{\hat{\alpha}}{s(\hat{\alpha})}\]
O critério de rejeição é: se \(\hat{\tau} < \tau_{\text{crítico}}\) (valores negativos), rejeita-se \(H_0\) — não há raiz unitária.